Sei que posso parecer repetitiva, insistindo no encontro da Raposa com o Pequeno Principe, mas esse capítulo toca tanto meu coração que eu não me importo em me repetir, ou melhor, me redescobrir cada vez que leio esse texto. Hoje não foi um dia diferente… Resolvi ler novamente e novamente fiquei feliz com a leitura.
A raposa chega de mansinho, está escondida. Quantos amigos chegam de mansinho, estavam escondidos. Algumas chegam até com certo medo. São raposas que ainda não foram cativadas. Chegam em momentos em que “estamos tristes”, queremos alguém para “brincar”. Às vezes somos como o Pequeno Príncipe, queremos “brincar logo” estamos com pressa e não temos tempo para “cativar” para “criar laços”. Mas ele se encanta com a raposa e começa com ela um diálogo. O encantamento faz parte das amizades, às vezes acontece no início, outras vezes no decorrer do tempo, mas sempre nos encantamos pelas “raposas” que entram na nossa vida.
Não amamos o que não conhecemos! É um ritual, é um processo. Eu preciso cativar o outro, começar a conhecê-lo e depois passo a amá-lo, ele se torna único para mim no mundo! Se não cativarmos o outros não podemos “brincar com ele”, fazer parte da vida , da intimidade, da história do outro. Temos necessidade de estar com o outro!
Mas cativar é “algo esquecido”, os homens esquecem que é necessário cativar o outro, cativar é criar laços. Um laço é algo bonito, enfeita a vida, enfeita os presentes, faz iluminar nossos olhos, mas é frágil, basta puxar uma das pontas e ele se desfaz. Quando as duas pontas estão iguais e o nó está firme o laço permanece.
Quando criamos laços nos tornamos únicos. Amigos são únicos, mesmo que você tenha vários, cada um dele é único. Foram cativados, criamos laços com eles. Na vida nós cativamos e somos cativados. Escolhemos cativar, nos deixamos cativar.
Mas para criar laços é necessário tempo. Não se cativa instantaneamente, é um processo., é preciso tempo, é preciso paciencia. A amizade se constrói passo a passo, momento a momento, partilha a partilha. Sem amigos a vida é monótona, sem cor, sem alegria. Sem amigos o nosso melhor lado fica escondido, porque eles nos ajudam a nos revelar. Como aquelas máquinas de fotografia antigas. As fotos são tiradas, mas ficam escondidas no filme. É necessário revelar para que possamos nos ver. Os amigos nos revelam, sem eles ficamos no escuro do rolo do filme.
A raposa se revela, mas revela também as condições para que a amizade aconteça entre eles. Um ritual! Nossa vida é cheia de rituais. Um ritual é um conjunto de gestos que possuem um significado maior do que meramente os gestos. Um ritual faz um dia ser diferente dos outros. O ritual da raposa é que aos poucos o Pequeno Principe vá se chegando, sentando mais perto, o ideal é que venha na mesma hora, ela vai olhá-lo de canto de olho e não dirão nada, pois a “linguagem é uma fonte de mal entendidos”, e cada dia chegarão mais perto um do outro. É assim que nascem nossos amigos, vamos chegando perto.As vezes olhamos de canto de olho, desconfiados, não falamos nada porque no inicio a linguagem pode nos trair. Aos poucos vamos nos revelando, mostrando quem somos. Não olhamos mais de canto de olho, passamos a olhar nos olhos, a ver a alma do outro.
Com um amigo descobrimos o preço da felicidade!
Assim somos cativados, por rituais, por olhadelas de canto de olho, por confiança que vai sendo construída, por amizade que vai sendo formada aos poucos, cada vez que sentamos mais perto… Quando vemos, descobrimos o tesouro da amizade, o tesouro de ter alguémm e poder olhar nos olhos, poder lembrar do amigo por causa “da cor do trigo”. Só a cor do trigo já basta à amizade. Só a alegria de saber que temos alguém que pode olhar nos nossos olhos e ver anossa alma já basta toda construção, toda paciência, todo choro se for preciso.
Alguns amigos, como o Pequeno Principe, nos cativam, se deixam cativar, se revelam, mas precisam partir. Outros entram em nossa vida para ficar… Por muitos nós choramos quando partem, choramos as vezes sem perceber, a ausência causa um choro silêncioso, eu acho que a saudade as vezes é uma maneira de chorar… Também choramos pela distância daqueles que gostaríamos que estivessem mais perto, porque a lembrança do “trigo” nos envolve, envolve nosso coração…
O mais importante é saber que depois que fomos cativados e que cativamos nos tornamos únicos mesmo com milhares ao nosso redor. Nem um amigo é igual… “Não existem lojas de amigos…” Os milhares a nossa volta podem ser belos, mas são vazios, não foram cativados, não se pode morrer por algo que não foi cativado.” Não se pode morrer por algo vazio! As pessoas que são únicas são aquelas como a rosa, são regadas, cuidadas, abrigadas em nosso abraço, matamos as ervas que insistem em acabar com elas, ouvimos suas queixas, suas alegrias, suas tristezas, e o seu silêncio. Ahhh como o silêncio fala entre amigos! O silêncio fala muito mais que muitas palavras… o silêncio no momento certo… As palavras não são só fonte de mal entendidos, elas também alegram nossa alma, trazem paz, conforto, exortação, conselhos.
O Segredo da Raposa… O Essencial é invisível aos olhos… Tudo o que é essencial em nossa vida é invisível aos nossos olhos, um amigo é visível, mas o sentimento que temos por ele é invisível… só o coração pode ver , só o coração pode entender , só o coração pode dimensionar… É o tempo que perdemos com os amigos que se deixam cativam que os fazem tão importantes. O tempo faz as coisas mais simples se tornarem valiosas! Unicas!
Um ultimo conselho, depois de criar laços com um amigo, nos tornamos responsáveis por ele! Responsável como o Pequeno Principe pela sua rosa, que apesar de todas as dificuldades ele a tinha cativado e tinha sido cativado por ela!
Cativemos e nos deixemos cativar, sempre há lugar em nosso coração… !!!
Obrigada Senhor por todos aqueles que me cativaram e por quem eu fui cativada!! O trigo me lembra cada um deles!!!

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